Posted tagged ‘oceanos’

Migrando de blog…

maio 19, 2009

Queridos leitores…

Como todos podem perceber, a cada dia mais, os oceanos estão fazendo sentido dentro da crise climática.

Primeiro, como vítimas do aquecimento global, que assola não apenas a zona costeira marinha do nosso país, como também toda a nossa rica biodiversidade marinha. E finalmente, como o grande pulmão do planeta, com a capacidade de absorver até cerca de 80% do CO2 presente na atmosfera.

Durante a Expedição Salvar o Planeta é agora ou agora, o Greenpeace já vinha mostrando a sociedade e exigindo do governo federal a proteção dos oceanos como uma ferramenta para salvar o clima do planeta.

E como SALVAR OS OCEANOS É AGORA OU AGORA, estaremos integrando com mais informações,  o GREENBLOG.

Todo o histórico de postagens, imagens e comentários anteriores sobre a campanha de oceanos e a expedição Antártica, continuarão online e disponíveis nesse mesmo endereço.

Algas_Padina sanctae-crucis sobre banco de Algas Calcareas_Neogoniolithon sp

Aguardo vocês no GREENBLOG – www.greenblog.org.br

Abraços Leandra

Coordenadora da Campanha de Oceanos

Greenpeace – Brasil

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As espécies mais perigosas do mar

maio 13, 2009

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Encontrei no blog CHONGAS, que diz ser um blog sem credibilidade, mas atesto, é a pura mentira.

O lixo descontrolado é sim uma grande ameaça aos mares. E mais ainda, acabam sendo “engolidos” por outras espécies que acabam morrendo, e só por isso já podem ser considerados as criaturas mais perigosas dos mares.

Se as pessoas e nossos governantes considerassem e compreendessem a importância dos oceanos.

Além de ser importante para a locomoção, lazer, alimentação, ele também é o nosso principal amortecedor climático. Mas, me parece que só agora as pessoas estão se dando conta disso, principalmente os tomadores de decisão.

Desde da Expedição SALVAR O PLANETA É AGORA OU AGORA, é que o Greenpeace está pedindo a proteção dos oceanos como uma das formas de combater o aquecimento global. Sabe-se que os oceanos possuem a capacidade de absorver até 90% de todo o CO2, e aproximadamente 40% do CO2 emitido pelo homem. Será que isso ainda não é motivo para o tema fazer parte das COnferências INternacionais como a que será realizada em Copenhaguem?

Duvido.

Hoje, finalmente, li uma notícia que me deixou mais animada. Durante a Conferência Mundial dos Oceanos (WOC – sigla em inglês), cientistas e outros atores estão falando sobre o assunto e tentando incluir essa pauta nas próximas negociações. Vamos acompanhar?

Precisamos criar áreas marinhas protegidas para manter os oceanos limpos e saudáveis para que voltem a realizar seu papel natural como sumidouro de CO2.

Salvar o PLaneta: é agora ou agora!

LULA ajuda a salvar a carcinicultura

maio 11, 2009

É mesmo um absurdo pensar que o governo brasileiro está ajudando a recuperar os estragos causados pela chuva às fazendas de criação de camarão na costa cearense.

A carcinicultura é uma atividade ecônomica impactante, que influencia no meio ambiente e também no desenvolvimento das comunidades costeiras.

Um grande problema que eu vejo nesse investimento do PRONAF é que, a meu ver, essas chuvas, já fruto desse desequilibrio climático estão causando impactos esperados na região costeira. E de certa forma, a criação de camarão, gera impactos na região costeira e ampliam os efeitos do aquecimento global, impedindo que os oceanos estejam saudáveis e preparados apara atuarem como regulador climático da temperatura do planeta.

E assim, segue o ciclo… o homem impacta o meio ambiente, o meio ambiente fica desregulado, quebrando o ciclo natural, amplia-se o efeito do aquecimento global que atinge o homem. Pegou?

Pois é, se compreendeu é melhor parar o que está fazendo agora e mudar alguma atitude em relação ao aquecimento global e as suas posturas no dia-a-dia.

Passe pelo site do Greenpeace, e em menos de 5 minutos, enviei seu recado ao presidente Lula.

Quando acabei de publicar esse post, recebi uma notícia do grande amigo Edu do Sierra Maestra, sobre oceanos x mudanças climáticas. Vale a pena conferir e ver que não sou apenas eu que estou falando.

Redes fantasmas?!?

maio 8, 2009
Exatamente isso… aliás, demorou um pouco para que isso se tornasse preocupante.
Não são apenas as redes fantasmas, as redes de arrasto, são artes de pesca totalmente não seletivas, e que acabam capturando espécies que inclusive não tem valor comercial.
O Greenpeace Chile está com esse problema por lá. E inclusive produziu uma animação interessante sobre o assunto.
O problema é que as espécies de peixes e animais marinhos capturados e sem utilidade comercial, são peças fundamentais de uma grande cadeia alimentar. Ou seja, retirando essas espécies você também está prejudicando os estoques de peixes e por isso, o desenvolvimento das comunidades tradicionais que dependem da pesca.
É necessário uma maior gestão da pesca e uma maior governança para esse setor.

Cientistas descobrem corais que vivem mais de 4.000 anos

março 24, 2009

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Os resultados de cair o queixo estão relatados na edição desta semana da revista científica internacional “PNAS”. A equipe liderada por Brendan Roark, da Universidade Stanford, extraiu amostras de dois gêneros de coral, o Gerardia (que pode ser visto na foto acima) e o Leiopathes, que podem ser encontrados a profundidades que vão de 300 m a 500 m em águas havaianas. Esses invertebrados usam protuberâncias do solo marinho para se fixar e crescer.

Pois é, e ainda tem “gente” pensando em explorar petróleo no entorno do Banco dos Abrolhos – o maior banco de recifes de coral do Atlantico Sul.

É muita cara de pau, em tempos de aquecimento global, existir a intenção de explorar essa área pristina através do principal vetor da crise climática.

Um outro mundo é possível

fevereiro 2, 2009

Pela primeira vez participei do Fórum Social Mundial. O Fórum é um espaço aberto para debates de toda a sociedade civil.

Estão presentes aqui muitas organizações não governamentais, movimentos sociais, estudantes, professores de todos os lugares do Brasil.

Fiquei surpresa com o tamanho da programação, com a quantidade de eventos propostos, com a diversidade de assuntos e lutas. Você pode encontrar aqui desde o movimento das mulheres feministas até movimento da luta contra a escravidão. Aqui vale um parênteses. Eu achei que a escravidão tivesse sido abolida, mas passeando pelos estandes, fiquei sabendo que ela ainda ocorre em algumas fazendas no interior desse nosso Brasilzão, onde obviamente falta governança e presença do Estado.

Bom, não é para surpreender. Aqui no Fórum tive a oportunidade de assistir em frente ao barco do Greenpeace o filme Mataram a Irmã Dorothy. E aí sim, fiquei chocada. Isso me faz lembrar um pouco a história dos nossos dois ativistas japoneses que foram presos por denunciar a caça de baleias, que é um crime. Apesar de estarmos no século 21, ainda vivemos uma época de censura disfarçada, onde a sociedade ainda têm medo de expor e lutar por seus direitos. Medo de não poderem contar com os órgãos públicos em sua defesa, já que estes muitas vezes estão a serviço da ambição e da concentração de renda na mão de poucos.

Mas, essa indignação passa muito rápido e surge um pontinha de esperança quando se vê que quase 100 mil pessoas se deslocaram de suas cidades para vir até Belém e expor suas opiniões, aprender, buscar informações e levar essas informações de volta, gerando um efeito multiplicador.

O Greenpeace propôs vários seminários durante a semana do Fórum, e todos eles tinham pessoas saindo pela janela. O que eu achei muito legal, pois mostra que as 100 mil pessoas que decidiram vir para o Fórum, vieram engajados e com objetivo de se informar e sair daqui acreditando que outro mundo é possível.

Ontem também foi o dia da minha apresentação “áreas marinhas protegidas e o combate ao aquecimento global”. Eu não sabia muito o que esperar já que o principal assunto do fórum foi a preservação da floresta e seus impactos no clima. Mas a sala ficou lotada, com muita gente interessada em preservar os oceanos, tirando dúvidas e mais ainda, se indignando por que não temos ainda um grupo de voluntários em Belém. Passados 10 minutos, algumas pessoas interessadas já estavam trocando contatos para formar um novo grupo de voluntários.

Veja no blog do Greenpeace os depoimentos das pessoas que participaram. Obrigada Jorge e todos os que estiveram me dando força e apoio nesse dia.

Como diria o meu querido amigo Marcio Astrini além de tudo de interessante que tiveram os nossos open boats, o melhor era a simpatia e a disposição da nossa tripulação e voluntários.

Time de voluntários que segue embarcado para Fortaleza

Time de voluntários que segue embarcado para Fortaleza

Agora, parte do time segue para Fortaleza, que também promete muito trabalho e atividades para construir um outro mundo melhor com os oceanos limpos e saudáveis e maiores investimentos em energias renováveis.

É isso aí…. seguimos felizes pelo rio até chegar em nosso oceano. Afinal, SALVAR OS OCEANOS: é AGORA OU AGORA!

Muitas coisas aconteceram nesses dias todos…. e toda a equipe superou os limites do cansaço para receber mais de 7000 pessoas visitando nosso barco e levando para suas casas as informações sobre os problemas e soluções para o aquecimento global.


Canto comunitário verde

janeiro 24, 2009

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Dias cheios aqui em Fortaleza para deixar tudo preparado para a chegada do Arctic Sunrise. O navio agora está em Belém, e nesse momento durante o open boat, com mais de 30 voluntários, mais de 15 tripulantes e mais ainda a galera do escritório. Eu diria, o barco é um escritório móvel e que agora está em Belém, aberto a visitação de pessoas. Demais!

Ontem, pela manhã, fui visitar mais de 20 restaurantes aqui da Avenida Beira Mar. Durante o trajeto aproveite para conhecer o mercado de peixe, onde inclusive são vendidos os camarões da carcinicultura.

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O problema aqui é que compensa mais o pescador “artesanal” comprar o camarão da carcinicultura e vender, do que sair ao mar para pescar seu próprio camarão.

Pescadores artesanais acabam se tornando atravessadores

Pescadores artesanais acabam se tornando atravessadores

O camarão da carcinicultura é mais barato e ainda, por ser alimentado com ração, antibióticos e hormônios, dizem que fica muito mais bonito aparentemente. A carne parece uma esponja! Eu não como.

Com isso, muitos pescadores da comunidade passam de pescadores a atravessadores. E os que não são atravessadores, podem tentar um trabalho nas próprias fazendas de criação, que emprega 1 indivíduo por hectare. Já, um hectare de manguezal preservado, garante o sustento de 10 famílias e mais ainda a integridade do ecossistema marinho.

A realidade é dura e crua. Quando estava nessa caminhada, vi um monte de gente, TV, em volta de alguma coisa. Como taurina curiosa não pude deixar de me aproximar. Diziam que os pescadores haviam trazido um tubarão-baleia.

Só não consegui a foto do tubarão ;-(

Só não consegui a foto do tubarão ;-(

Quando por lá cheguei já não tinha mais o animal inteiro, já tinha cortado e estava a venda no mercado de peixe local. Só tinha a cabeça e era impossível se aproximar em meio a tanta gente. Conversando  por ali descobri que essa é a primeira vez que pescam esse tipo de peixe e que ainda, ele não tinha registros para a região.

** depois que eu fui embora, vi no Jornal que o IBAMA aprendeu a carne, e irá doar para instituições públicas.

Bom, continuei a trajetória pelos restaurantes. A idéia foi convidá-los para uma visita a bordo do Arctic Sunrise e conhecer os problemas que ameaçam os manguezais. Fui bem recebida em alguns, em outros não. Mas todos se mostraram interessado em aparecer. Vamos ver agora como será a recepção nos supermercados. (Obrigada, Rosi pela força de conseguir a lista de restaurantes e supers… me ajudou muito!).

No final da tarde, peguei uma carona com o René Sharer da prainha do Canto Verde e parte do Instituto TERRAMAR. As organizações locais fazem um importante trabalho com as comunidades consteiras e com manguezais.

Fui conhecer como funciona o turismo comunitário na Prainha do Canto Verde. Fiquei realmente encantada!

Foto tirada às 5h30 - já bem calro!

Foto tirada às 5h30 - já bem claro!

A Prainha fica a 126km de Fortaleza. Chegamos por lá já era noite! René me levou para conhecer a casa da D. Mirtes. Lá, você se hospeda na casa dos moradores. Eu fiquei no Refúgio da Paz.

A casa da D. Mirtes e sua familia

A casa da D. Mirtes e sua família

Você realmente se sente parte da família de D. Mirtes e tratada como se fosse. Sempre com um sorriso no rosto…

A noite, fui jantar na Pousada Sol e Mar, junto com René e sua esposa. E conheci alguns moradores locais.

O mais interessante ali na prainha, é que os próprios moradores são os que fiscalizam e não permitem que o ambiente seja alterado. Todos respeitam as regras e fiscalizam uns aos outros. Por exemplo, a construção de casas com mais de 2 andares, a venda de terrenos e casas a não-moradores, a pesca da lagosta, do camarão… enfim.

Eles já estão organizados em uma cooperativa para o turismo comunitário e se reúnem frequentemente. Os poucos que conheci pude perceber que dão muito valor ao seu local e são bem engajados e informados.

Acordei pela manhã (5hs) e fui fazer um tour com o René.

As dunas aqui, com os ventos de leste, invandem as ruas, e principalmente as casas. Os moradores se únem muitas vezes, e colocam algumas palhas de coqueiro secas para conter o avanço. Mas a prefeitura precisa ficar mais de olho. Já aconteceu das dunas se moverem para o meio da única via de acesso da prainha.

Os pescadores utilizam técnicas tradicionais de pesca, a bordo de jangadas e catamarãs. Melhor ainda, o catamarã é movido a energia do vento (vela) e utiliza quase nada de combustível.=Os equipamentos de bordo (GPS, sonda, luz e rádio de comunicação) são alimentados por uma placa solar. Fantástico!

René me contou, que na década de 90 (mais precisamente 1993), eles realizaram o projeto SOS SObrevivência. Demais a história, 4 pessoas da comunidade se juntaram em uma jangada de 8m e foram da Prainha do Canto Verde até o Rio de Janeiro, discutir a pesca com os governos.

Chamaram a atenção da mídia para o assunto, fizeram reuniões, propuseram políticas públicas e divulgaram o problema para a sociedade. Que coragem!!!

Parte dessas pessoas hoje continua lutando pela preservação da Prainha… propondo políticas, fiscalizando, exigindo, orientando, educando as futuras gerações.

Vale a pena conhecer e participar do turismo comunitário.

Pude acompanhar o desembarque de um catamarã e como eles se organizam em equipe e família para retirar as caixas de peixe, não encalhar o barco e dividir os pescados.

Durante nosso evento em Fortaleza, no dia 9 de fevereiro, teremos a participação de duas lideranças pesqueiras da Prainha, defendendo a criação de uma área marinha protegida. Isso sim é consciência. O pescador saber o valor da proteção para garantir sua sobrevivência.

Após o tour com René, estava quase na minha hora de pegar o ônibus de volta a Fortaleza. Fiz um pequeno tour com o filho da D. Mirtes. Fui conhecer lugares maravilhosos e aprender sobre a história da Prainha do Canto Verde.

Aproveitei para convidar a todos por lá que visitem o barco do Greenpeace nos dias que estaremos em Fortaleza (7-8 de fev – 10hs-17hs).

No mais, só a agradecer a todos das organizações locais e os moradores da Prainha do Canto Verde, que tão bem me receberam.

Ao final da tarde pude me reunir com os colaboradores do Greenpeace que moram em Fortaleza. 10 pessoas compareceram a reunião e se mostraram bastante engajados e dispostos a salvar o planeta. Afinal, é agora ou agora!