Rumo ao Processo de Modernização.

Bom, cômico se não fosse trágica a minha primeira experiência na reunião da Comissão Internacional da Baleia.

Na quarta, foi o dia da participação pública. Foi dado 5 minutos para 6 ongs se manifestarem (3 conservação e 3 pró-caça). Sim, existe ONG pró-caça. As ONGs se organizaram em grupos e um pessoa foi escolhida para representar a opinião do grupo, em sua maioria das vezes. A ordem foi:

1. Centro de Conservacion Cetácea: uma ONG Chile pro conservação, que representou a opinião das ONGs latinas (incluindo o Greenpeace). Foi escolhida para ser do Chile, local onde está sendo realizada a reunião.
2. High North Alliance: pró-caça
3. WWF: escolhida para representar o lado europeu e é pro-conservação
4. Womens fórum for fish: ONGs japonesa de mulheres que são a favor do comércio de carne de baleia, lógico, são pro-caça
5. Greenpeace: representando os japoneses que querem acabar com a caça. O discurso foi lido por Wakao, que estava representando Junichi. Foi emocionante!
6. Conpesca: dizia ser uma ONG da América central, e seu porta voz foi Miguel Marenco, o ex-comissário da Nicarágua, o qual era totalmente pro-baleeiro. Assim que saiu do cargo, a Nicarágua se tornou pro-conservação. Agora ele está trabalhando para os japoneses e fundou uma ONG para fazer lobby pro-caça. Absurdo!

Ontem (quinta) foi o dia mais emocionante. Onde foram apresentadas resoluções e algumas votações aconteceram.

A Dinamarca colocou em votação o pedido para caçar mais 10 baleias jubartes – espécie ameaçada de extinção. O que foi estranho, pois ao longo dos dias os países pareciam ter entrado em acordo de consenso de não colocar resoluções em voto. Eis que a Dinamarca quebrou esse acordo de “cavalheiros” e pediu para caçar mais jujubas. É lógico que perderam, a quota não foi aceita. Foram 29 votos a favor, 36 votos contra e 2 se abstiveram. Precisavam de ¾ para conseguirem.

Imaginem vocês que os que votaram a favor são os marionetes do Japão: Antigua e Barbuda, Benin, Islândia, Camboja, China, Dinamarca, Gabão, Grenada, Guine-Bissau, Kiribati, Corea, Lao, Ilhas Marshal, Mongoli, Nauru, Noruega, Omã, Palau, Rússia, San Kittis e Nevis, Santa Lucia, San Vicent, Ilhas Salomão, Suriname, Suíça, Togo, Tuvalu e Estados Unidos.

E se opuseram: Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, Costa Rica, Croácia, Ciprus, Republica Tcheca, Equador, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Índia, Irlanda, Israel, Itália, Luxemburgo, México, Holanda, Nova Zelândia, Nicarágua, Panamá, Peru, Portugal, San Marino, Repuplica Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Inglaterra e Uruguai.

Moroco e África do Sul se abstiveram.
Felizmente não puderam adicionar as 10 jubartes no cardápio, Já caçam 200 minkes, 19 fin e 2 baleias da Groelândia. O Greenpeace e outras ONGs conservacionistas que aqui estão não consideram a caça da Groelândia como caça aborígene de subsistência, pois acabam indo parar em mercados e não para a própria subsistência da comunidade.

O Grupo de Buenos Aires (governos latinos) tinham dito que caso algum país quebrasse o acordo de negociação eles colocariam o Santuário também em votação.
No entanto, não foi o que aconteceu. O Grupo de Buenos Aires decidiu que não colocariam o Santuário em votação esse ano, por que caso o fizessem, iríamos perder. E realmente íamos. Não tínhamos ¾ dos países votando a favor. Isso seria muito ruim politicamente, perderíamos força.

Notei que precisamos investir ainda mais no lobby com países, agregando mais países ao lado da conservação. Por outro lado, os governos latinos se comprometeram em colocar o Santuário no processo de discussão de MODERNIZAÇÂO DA CIB. O que na prática significa uma comissão internacional da baleia volta para a conservação de baleias e não da industria baleeira, como era em 1946, quando foi criada, e é o que querem os baleeiros, ou seja a NORMALIZAÇÂO.

Sendo assim, depois do coffe break o governo brasileiro apresentou um vídeo super bacana em defesa do Santuário, que pode ser assistido aqui.
E não foi votado. É claro que países como Noruega, Gabão, Islândia, Benin, Costa Marfim e Rússia se manifestaram contra, e pior ainda com argumentos infundados e fracos.

França. Austrália, Alemanha, Irlanda, Mexido, Nova Zelândia, Inglaterra, Estados Unidos, África do Sul, Israel, Portugal e Panamá apoiaram a proposta.

O GREENPEACE luta para que o Santuário de Baleias do Atlântico Sul deveria ser adotado esse ano. No entanto, compreende o processo de modernização o qual passa a Comissão Internacional da Baleia. Os países conservacionistas demonstraram acreditar no processo de modernização e iremos esperar por mais um ano para a ADOÇÃO do Santuário. Essa abertura deve ser entendida pelos países baleeiros como um comprometimento dos países conservacionistas em colaborar no processo e, deveriam ACABAR com a caça de baleias na Antártica. Nós iremos lutar para que o Santuário, seja não apenas votado, como seja ADOTADO na próxima reunião.

Enfim, mais coisas podem vir a acontecer hoje… e assim que eu tiver mais informações estarei enviando para vocês.

Obrigada ao todo time que tem trabalhado muito na minha ausência, obrigada a todos os voluntários que têm apoiado e enviado mensagens aos nosso ativistas japoneses que ainda encontram-se detidos.

Um grande beijo do Chile

lelê

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