Pesquisa para salvar as baleias!!!!

Desculpe a demora em escrever depois do ano novo… mas estivemos um tempo sem internet aqui, e além disso, tivemos a visita de nossas amigas jubartes, o que simplesmente quadruplicou meu trabalho a bordo.

Após encontrarmos os primeiro icebergs e as primeiras baleias Fin, percebermos que estávamos realmente na Antártida. Então, iniciamos os testes dos equipamentos de pesquisa, para estarmos preparados a qualquer momento. E eis que veio a surpresa…


Colocamos o bote na água, nos afastamos do Esperanza, e jogamos o hidrofone na água. Tudo correu bem, ele estava funcionando perfeitamente, mas infelizmente não tínhamos baleias na área.

Nos aproximamos do Esperanza, que em nenhum momento parou ou reduziu a velocidade, estamos seguindo em frente procurando pelo frota. Decidimos então, aumentar a velocidade do bote, e procurar por baleias na área, como parte do programa de pesquisa. E para nossa grande surpresa, eis que vieram as jubartes… Rapidamente jogamos o hidrofone na água para tentar capturar os sons. Eu estava com os fones para ouvir, e acho que não foi possível gravar. Fêmeas não cantam, e machos tendem a não cantar em área de alimentação. Mesmo assim, emitem sons de comportamentos sociais, em grupo. Iremos analisar os sons no computador novamente para ver se realmente não capturamos nada.

É a primeira vez que uso um hidrofone desse tipo, apropriado para colocarmos em bote de alta velocidade e que navegam em situações extremas, como ações diretas, em meio a mares ruins e icebergs. Estou super animada com os novos resultados, e se tivermos sorte, poderemos ter importantes informações para conservação de baleias.

Após isso, decidimos aproveitar que as baleias estavam na área e iniciar parte do programa de pesquisa com foto-identificação. Capturamos várias imagens das caudas, e estas serão analisadas por pesquisadores da IFAW, para tentarmos descobrir de onde vieram essas baleias, ou melhor, onde estavam se reproduzindo. As fotos já foram enviadas e aguardamos respostas para sabermos se tivemos sucesso.

Também foi possível enquanto tirávamos as fotos fazer algumas anotações de comportamento animal, e o que tenho percebido é que as baleias aqui na Antártida não são tão “exibidas” como no Brasil. Os registros de comportamentos, POR ENQUANTO, estão se restringindo a exibição da nadadeira dorsal, mergulhos curtos e longos, borrifos (quando sobem a superfície para respirar), sempre se deslocando e nadando de um lugar ou outro. No entanto, ainda não vimos aquelas “baleias jubartes brasileiras” saltando, batendo peitoral, mostrando a cauda por minutos… vamos ver o que vai acontecer nos próximos dias.

No mais, estou super feliz por que a cada dia estamos tendo cerca 10 a 15 avistamentos de baleias jubartes. Não podemos afirmar que são diferentes baleias e nem que são as mesmas. Só iremos ter essas informações depois de analisar as fotografias das caudas. Mas é sinal que estamos no caminho certo.

A pesquisa científica não-letal é uma das formas de salvar as baleias. Com os resultados da pesquisa podemos mostrar que não precisamos matar baleias para fazer ciência, e ainda mais, podemos publicar os resultados e levá-los para Comissão Internacional da Baleia, onde podem ser aplicados para a política e conservação.

Dedos cruzados e que venham mais baleias! Iuhuuuu

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