A hitória completa do porquê, nós não encontramos a frota

Escrito por Leandra, com a grande participação de Irene Berg e Capitão Frank Kamp

Nós estamos seguindo com o Esperanza para o Sul, e no momento estamos sendo seguidos de perto (ou seria melhor vigiados), por um pequeno ponto que vocês podem ver no radar – o ‘fantasma’ da noite, como é chamado pelo capitão Frank.

Quando nos aproximamos, ele se desloca para longe. Ao que podemos ver com o binóculos é um navio da guarda costeira japonesa, mas não podemos ter certeza ainda.

“Para falar a verdade, se eu fosse japonesa, e morasse no Japão, pagando impostos, teria um mínimo de curiosidade para saber onde meu dinheiro está sendo realmente gasto. Me parece que o governo japonês vai ao extremo para evitar a exposição pública de suas atividades baleeiras”, me disse Irene, webbie do Greenpeace Internacional durante nossas horas de night watcher.

Sim, querida, concordo plenamente – afirmei sem dúvida alguma.

Se você tem lido e acompanhado os posts aqui no blog, pode ter percebido que nossos planos tiveram que mudar um pouquinho de direção. Nós não conseguimos encontrar o barco Nisshin Maru, logo após sua partida de Shimonoseki. E aqui você pode acompanhar toda história do que aconteceu entre domingo e segunda, na imensidão escura do oceano.

A frota baleeira deixou o porto as 11h30 de domingo (horário do Japão). Nos movemos para próximo a entrada do estreito, sabendo que eles tinham exatamente a nossa posição, afinal durante toda semana fomos vigiados por helicópteros e navios da marinha e guarda costeira japonesa.
Se tudo ocorresse como o planejado, teríamos os encontrado antes mesmo do Sol se pôr, mas ao invés disso, eles se moveram vagarosamente pelo estreito, e alcançaram as águas internacionais quando não mais podíamos vê-los, durante a escuridão do oceano.
Quando o Nisshin Marru passou pelo estreito (você pode ver pelo mapa – o lápis mostra Shimonoseki), o sol já tinha se posto.
O navio Esperanza seguia batendo de frente nas ondas, como se fazem os guerreiros do arco íris que têm esperança. Esperamos aqui pela madrugada a fora. A lua estava praticamente invisível, em meio ao monte de nuvens que apareceram nessa noite, após semanas de céu estrelado e calmaria. Todas as luzes da ponte de comando foram apagadas – e tínhamos que tomar cuidado com qualquer movimento durante a observação noturna para não causarmos acidentes com a tripulação, que nos acompanhava, ou melhor que nós acompanhávamos, noite a fora, na escuridão da ponte.
Tudo o que eu podia ver eram as luzes do radar (como mostra a foto), e o “fantasma noturno” que nos seguiu por toda madrugada, e algumas outras luzes do painel. E, por favor, não me perguntem para que serviam essas outras luzes, ups, sou apenas uma bióloga procurando baleeiros, quando queria mesmo era estar observando BALEIAS.

Bom, mas pude tirar algumas dúvidas com o Capitão Frank…
Então, como se encontra um navio no meio da escuridão? Apenas pelo radar é claro, e alguma outra coisa chamada AIS – Automatic Identification System (em português SIA – Sistema de Identificação Automática). É uma pequena máquina que transmite para nós o nome do navio e outros detalhes. E naquele momento, estávamos procurando pelo navio que tinha o SAI desligado, pois estaria tentando se esconder.
Frank ainda me disse que esta era a primeira vez que o Greenpeace vinha esperar a frota próximo ao Japão, e que era realmente uma difícil empreitada. Mas que uma coisa boa, e que podia nos dar esperança era que o Nisshin Maru tinha fortes luzes de navegação (verdes e vermelhas), e que isso poderia ajudar a localizar um clarão no meio da escuridão.
De repente, localizamos alguns navios em nosso radar. E um único que não estava transmitindo o nome pela SIA. Começamos a segui-lo, ele estava seguindo para leste, o que nos pareceu um pouco estranho, mas decidimos continuar seguindo.
Mais 3 novos e pequenos navios apareceram no radar, e tudo começou a ficar mais claro, podiam ser Yushin Maru 1, 2 e 3. Sim, eram eles, as luzes de navegação podiam confirmar isso. Que alegria, não irei me esquecer dessas luzes por um bom tempo em minha vida.
Era 4hs da manhã. E meu horário de observação tinha chegado ao fim…ainda estávamos um pouco longe deles, em nossa velocidade máxima. Fui dormir e pedi ao próximo observador que me acordasse para qualquer novidade, seja ela boa ou ruim.
Algumas poucas horas depois… achei que tinha acabado de pegar no sono, mas o dia já tinha clareado. Eram 06h30.
Uma voz disse em nossa cabine: “Meninas (Karli, Aki e eu), nós estávamos seguindo o navio errado!!! Era um grande navio na marinha japonesa”.
Pois o que aconteceu? O Nisshin Maru desapareceu em algum momento, apagando suas luzes por algum momento na escuridão, deixando apenas o navio da marinha, com luzes semelhantes, enquanto fugia pelas águas do Pacífico.
Acho que não é necessário contar o tamanho da nossa decepção, tristeza e desânimo que veio a bordo. Passei meu dia todo checando emails, comendo (rsrs) e respondendo emails.
Mas hoje, é um novo dia, já posso contar para vocês que tivemos um grande empenho de toda tripulação, cuidando dos observadores noturnos e do nosso super capitão com café e leite quente e sanduíches… afinal, não é nada fácil ficar a noite toda acordada, em uma ponte escura, com um mar terrível e escuro.
Hoje já consigo pensar diferente, depois de ter descansado e renovado minha mente:
– desde ontem 4 governos tem divulgaram que são contra o programa científico do Japão;
– conseguimos uma boa cobertura de mídia sobre o encontro de Bush e Fukuda;
E se ainda, infelizmente, não conseguimos encontrá-los, eles já não estão mais escondidos, o mundo já sabe que saíram para fazer a falácia da caça científica, e tem se manifestado contra.
O Esperanza permanece com seu rumo para o sul…iremos encontrá-los. Afinal, somos Greenpeace, e bem lembrado pela Rosi…como diz Paulo Adário “somos Greenpeace, não desistimos NUNCA”.
Hoje a guarda costeira permanece nos seguindo… eles sabem onde estão, e também sabem que não iremos desistir.
O governo japonês parece jogar no lixo uma grande quantidade de tempo e recursos para fazer dessa partida algo inocente, silenciosa e invisível. Faremos ao contrário…

Desculpe o post tão longo… desabafos são necessários

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