Arquivo de novembro 2007

Cruzando Equador parte I

novembro 30, 2007

Essa eu tenho que dividir com vocês! CRUZAMOS O EQUADOR….
Estamos cada vez mais próximo de nosso destino final. No momento de cruzar o Equador – dia 29 de novembro de 2007 – 11h50 da matina, estávamos todos na ponte de comando, esperando o OOo00´000.

E era a maior piada: “Ops, vocês estão vendo alguma coisa???”. É lógico que a supersticiosa aqui fez um pedido… hahaha vai que dá sorte. Hahaha
No mais, quando se cruza o equador acontecem coisas interessantes…

Vou ter que contar em posts diferentes, para mostrar mais fotos…

A primeira é que…

O redemoinho da água muda de direção. Sabe aquela “aguinha” que vemos escorrendo na pia do banheiro, cozinha… pois é quando estamos em um hemisfério ela gira para um lado, e quando estamos no outro, gira para o lado ao contrário.

Calma, calma, calma… não pensem que a Lelê, é louca… cientista sim, louca não (ás vezes, rsrsr). Isso foi comprovado pelo engenheiro francês maluco Gustave-Gaspard Coriolis. E, no século XX, esse processo passou a ser denominado FORÇA DE CORIOLIS. Aprendi isso quando estava fazendo um estágio em oceanografia, quando era universitária. Mas, agora, lá fui eu ao banheiro para comprovar a teoria.

E acreditem em mim, é a pura verdade…. a água gira ao contrário.

Cruzando o Equador parte II

novembro 30, 2007

Cruzando o EQUADOR – PARTE II


Calma, não se assustem, o dizer da camiseta é apenas para provocar Netuno. Tudo não passa de uma divertida brincadeira, que estarei contando abaixo.

A outra coisa… é que quando se cruza o Equador pelo mar, se passa por um tipo de cerimônia. E precisa estar MUITO preparado…

A história é a seguinte, quem nunca cruzou o Equador pelo mar, na vida, é chamado de POLLYWOG, e as pessoas que já cruzaram são chamadas de SHELLBACKS. Originalmente a tradição foi criada como um teste pelos marinheiros experientes para garantir que seus novos tripulantes seriam capazes de agüentar tempos de mares difíceis. Os Shellbacks são filhos de Netuno, mais confiáveis, e os pollywogs, são os asquerosos, que ainda não sabem nada de mar. O fato é, acontece tipo um trote, semelhante quando se entra na faculdade, e os pollywogs precisam se defender de alguma forma. Bom, eu sou pollywog, e comigo tenho mais 12 amigos. Faz 2 semanas que estamos provocando netuno e seus filhos. Hehehehe Já aprontamos várias.

Primeiro, começamos a colocar recados no quadro no estilo “NEPTUNE, KISS MY ASS”, ou “FISH ARE FOOD NOT FRIENDS”. Tudo para provocar os Shellbacks, que fazem 3 semanas estão se reunindo para decidir qual trote será dado. Depois, pegamos um rolo de papel higiênico e enchemos de recados para Netuno, com ameaças e provocações, em diversas línguas, e deixamos no banheiro. Na noite seguinte, demos folga ao cozinheiro, que é shelback, e junto com sua assistente pollywog, preparamos um super jantar, mas só para os pollywogs, e deixamos os shellbacks apenas com repolho, presunto, pães e comidas do dia anterior. Eles ficaram nervosinhos. Era como se fosse nosso último jantar antes da execução.

Ainda preparamos umas camisetas com dizeres, como se estivéssemos indo para a guerra.
Na verdade, tudo não passa de uma brincadeira muito divertida, você recebe um certificado e um nome de batismo de Netuno, e tem uma cerimônia…. mas faz parte da brincadeira esse clima de desconfiança, entre os shellbacks e pollywogs… é o tempo todo um brincando com a cara do outro. Divertidíssimo… faz 1 dia que cruzamos o Equador, e até agora ele não fizeram a cerimônia… com certeza querem nos pegar de surpresa. Já que dissemos que peixes são comida…Vamos ver o que vai rolar…
Muita emoção na cruzada do Equador….envio notícias assim que me tornar uma shellback!

Baleia ao curry…..argh!!!!!!!!

novembro 28, 2007

A mais nova novidade no Japão é a sugestão de comer baleia ao curry.
Ai meu Deus, só me faltava essa…

Dizem que vendem cerce 1000-1500 lanches por dia, e o pedido ESPECIAL é oferecido apenas uma vez na semana. Além disso, diz que espera que jovens mulheres aderissem ao pedido, pois é saudável, rico em proteínas e pouco calórico, além de ser rico em ferro.

MENINAS…. JOVENS MULHERES…por favor, não caiam nessa!!! Temos inúmeros alimentos com as mesmas qualidades…. muito mais saudáveis, e garanto, bem menos calórico que uma pobre baleia ao curry. Não há mais o que inventar! Eu tô fora!!!

Essa é mais uma prova que o governo japonês está utilizando a carne para uso comercial, e ainda, promovendo a carne, que estava em baixo no mercado.

Leiam aqui a matéria na integra… é pra lá de absurdo.

No mais, só p acrescentar…. temos conseguido emplacar algumas notícias na mídia… obrigada Jorge do Greenpeace-Brasil, a mídia é super importante para conseguirmos sensobilizar as pessoas, comunicar e que isso tenha efieto multiplicador. Vamos em frente!

A pesquisa começou………

novembro 28, 2007

Bom, enquanto estamos na procura dos baleeiros outros trabalhos seguem em paralelo. O navio e a campanha não podem parar, temos outros objetivos também.

Essa semana pude iniciar o programa de pesquisa, para testar a metodologia, conferir se as planilhas estão ok, para após cruzarmos o equador… iniciarmos de vez o que chamamos de PESQUISA NÃO-LETAL – ou seja sem matar nenhuma baleia…apenas observando-as, filmando, gravando e fotografando.

Será muito legal. Temos várias etapas de pesquisa aqui, que não inclui apenas baleias:

– avistagem de baleias e golfinhos
– foto-identificação de baleias jubartes
– bioacústica de baleias
– levantamento do lixo marinho

Aos poucos irei contando os detalhes…
A parte que já começou é o avistagem de baleias e o levantamento do lixo marinho. Então, todos os dias depois do almoço, passo 3horas, olhando o mar. 😉

A primeira hora é apenas para observação do lixo marinho. Esse trabalho é em parceria com o British Antarctic Survey, e irá colaborar com os dados das pesquisas deles, e também complementar a pesquisa que vem sendo desenvolvida pelo Greenpeace, que já rendeu um relatório Marine Debris.

E as outras duas horas, é para observação de baleias e golfinhos.

Agora vocês devem estar pensando…. queria um trabalho desse. Hehehe Bom, não posso negar que o trabalho de observação é algo que eu gosto muito, e que por isso, venho fazendo há mais de 5 anos. Mas está longe de ser apenas uma coisa prazerosa. Ás vezes passamos dias no sol a pico (ou no gelo…ai ai ai isso eu nunca fiz), e não vemos sequer uma baleia. Isso é facilmente explicado, quando se imagina o tamanho do oceano, as baleias são como uma formiguinha na imensidão.

A alegria de poder observar e registrar uma baleia, ou um golfinho é gigante e inesquecível. A primeira vez que vi uma, foi uma baleia-de-Bryde, quando comecei a estagiar no Projeto Baleia de Bryde/CEMAR. Eu até chorei… outro dia conto essas histórias… longas…. da minha vida de observadora de baleias. 😉

Mas, enfim… as vezes o trabalho se torna tedioso, como todos os outros, pois é sempre a mesma coisa, e muitas vezes o mar está horrível, e outros dias está chovendo e você queria estar na sua cama quentinha… por aí vai… igualzinho qualquer outro trabalho.

Essa semana, já pude avistar um grupo de Tursiops truncatus…é o golfinho nariz de garrafa, que temos também no Brasil. Isso mesmo… é o nosso querido, amável e conhecido flipper. Mas garanto que é muito mais agradável vê-lo ao vivo, em seu ambiente natural que em cativeiro. Não deu para tirar fotos… o mar estava horrível, e eles estavam longes e rápidos…

Aos poucos irei detalhando as outras etapas da pesquisa….

Nada como um dia atrás do outro!!!

novembro 25, 2007

Para descontrair….
Pois é, como já dizia minha mãe “Após a tormenta vem a bonança…”
Sei que o objetivo do blog é contar para vocês os próximos passos e resultados da campanha, mas é também objetivo contar como é o dia-a-dia a bordo, e se posso dividir as tormentas, por que não dividir as bonanças?

Pois é, passamos uma semana aqui de mar realmente difícil. E não sei vocês, mas aqui o humor da tripulação é totalmente diferente quando se tem que segurar na mesa para comer, se agarrar no chuveiro durante o banho e andar se apoiando nas paredes do corredor o tempo todo.

Ontem sábado, foi dia de limpeza e o mar já estava começando a melhorar… pela tarde tivemos o prazer de acompanhar o pôr do sol, com o nascer da lua…. que por sinal estava em seus primeiros dias de lua cheia. Ops…acho que o humor da tripulação começou a melhorar.

À noite, pudemos todos sentar no helideck e admirar o brilho eterno da lua, e as poucas estrelas que conseguiam sobressair áquele brilho de lua cheia. MARAVILHOSO… posso dizer que foi um presente após a tormenta e tufões…

No domingo, acordamos… é dia de folga, só se revezam os pilotos e radio operadores…
Estava um dia maravilhoso…o mar finalmente tinha se acalmado, finalmente posso dizer…TÍNHAMOS UM MAR DE ALMIRANTE…. liso como uma lagoa.

Com a autorização do capitão, montamos uma pequena piscina no helideck, dessas de plástico para crianças… e realmente parecíamos crianças numa piscina salgada. Hehehe

Quando eram umas 15hs, o capitão autorizou mergulho no mar, já que estávamos a deriva para reparo no motor, e o mar tinha poucas correntes… todos seguros… é hora do mergulho na grande piscina azul!!!

Foi uma diversão geral… em dia de sol. Resultado: gringaiada toda, inclusive eu, pimentões no fim da tarde. Mas, com a certeza que mais uma semana de trabalho vem pela frente, e agora temos os ânimos renovados…e com muito mais energia proveniente do nosso amigo Sol.

ps: E nem pensem em vir com aqueles comentários tipo “Aê, Lelê, muito bom que agora veio a bonança, realmente deu p perceber que vc deu uma engordadinha…”. POr que isso a gente descobre sozinha…. rsrsrs beijos

Mais um tripulante a bordo.

novembro 23, 2007

Foto: Greenpeace/Jiri Rezac

Pois é, queridos leitores…
Netuno não está colaborando. O mar está altíssimo, e agora para piorar começou a chover… quem disse que seria fácil?!?
Isso tudo por estamos passando perto de um tufão que está rodando a uma velocidade de 100 nós, e aqui nas proximidades, onde estamos temos ventos de 64 nós (aprox 120km/h).

Para terem idéia de quão forte estão as rajadas de ventos, desde que o mar começou a ficar ruim, ganhamos um novo tripulante para o Esperanza… um atobá marrom. O apelido dele é Boby… devido ao seu nome popular em inglês brown bobbie.

Temos muitos deles no Brasil, se reproduzindo principalmente em ilhas. São muito engraçados e desajeitados. E agora está nos acompanhando, talvez não esteja conseguindo voar nessa tempestade…. voa para se alimentar e retorna ao barco. Parece cansado.

Mais um tripulante a bordo….

Segura para não cair…………….

novembro 22, 2007

Fotos: Greenpeace/Jiri Rezac

Hoje o mar aqui está revolto… está tudo voando!!!
Já não estava um bom mar desde domingo, quando iniciamos a busca da frota baleeira, e de lá para cá só tem piorado.

Pela manhã, pouca gente conversava, se via nos olhos que todos estavam cansados da noite mal dormida. Cris, o mecânico do nosso grande helicóptero Tweety me deu uma boa definição da noite passada:

“E como se você estivesse dormindo, e uma criança ao seu lado estivesse te acordando toda hora e dizendo ‘oie, olha eu aqui’, ‘vamos brincar’. E você sempre responde: ‘me deixa dormir mais um pouquinho’. E nessa hora, ele disse, SAUDADES DE MEU SOBRINHO.”

Pois é, essa foi a mesma sensação que tive…querer dormir, e alguém te acordando a cada segundo…e você se virando de um lado ao outro. Ou melhor, se jogando de um lado para o outro.

Como se não bastasse, estávamos trabalhando no escritório de campanha, em nossos computadores, quando Kevin, o piloto veio avisar, se segurem por que agora vamos “rolar”. E disse tudo… rolar… tudo começou a voar das prateleiras, as cadeiras começaram a ir de uma lado para o outro, um barulho de coisas caindo nos andares de baixo…e ainda mais, disparou o alarme de abandono. Foi uma loucura. Nos asseguramos rapidamente que os computadores estavam seguros e bem presos, e corremos para o helideck para de fato, abandonar o barco.

Que desespero, quem tinha feito o turno da noite e estava dormindo, acordou as pressas… o mar estava revolto, todo mundo se segurando um nos outros…
E eu me segurando em Irene, que olhava para mim e dizia “ Que loucura!”.

Sim, que loucura, passamos por um tufão e não sabíamos. UFA! O alarme de abandono era alarme falso, disse o chefe dos pilotos, alguma coisa ou alguém, em meio a bagunça toda, tinha feito soar o alarme.

Todos puderam respirar aliviados e voltar ao seu trabalho… prender melhor as coisas na prateleira, e se segurar nas mesas. Ufa… passamos por mais essa, e vamos em frente!